Bastidores de Quem Vive da Internet

Sempre me senti mais à vontade nos bastidores do que diante da câmera do celular. Talvez porque, por trás das telas, exista espaço para observar, ouvir histórias e conectar pontos que muitas vezes passam despercebidos na correria do feed.

Recentemente, em uma consultoria, alguém me perguntou:
“Como se manter inspirada para postar todos os dias?”

A resposta é simples, mas muitas vezes decepciona: não existe inspiração diária ininterrupta. O que existe é disciplina, experiência e, sobretudo, consciência de que não é possível criar com profundidade quando a mente está sobrecarregada.

Muita gente confunde procrastinação com exaustão. Mas o bloqueio criativo, em grande parte, nasce do acúmulo de tarefas e da falta de espaço mental para que novas ideias floresçam. Criar exige respiro, e respiro não combina com pressa.

Criei meu perfil em 2013, a convite de uma amiga que queria que eu acompanhasse o trabalho dela. Mas minha jornada no digital começou bem antes. Já estive em diferentes frentes: construção de sites, redação de textos, criação de postagens, e participei de projetos que saíram do zero até alcançar milhões de seguidores.

Ao longo desses anos, transitei por áreas diversas: notícias de fofoca, sindicatos, turismo, mercado automotivo, setor imobiliário, política, medicina, saúde, educação, bebidas, alimentação… A lista é longa. Mas em cada uma dessas experiências, o que mais me moveu não foram os números, e sim as histórias.

Meu maior prazer como comunicadora é contribuir, mesmo que em apenas 1%, para o mundo que desejo deixar quando não estiver mais aqui.

O dilema do criador digital

A vida é curta demais para criarmos apenas o que o algoritmo espera. É claro que não se trata de ignorar as regras e boas práticas da plataforma. Mas é preciso entender que há uma linha tênue entre usar o algoritmo a favor do seu trabalho e ser refém dele.

Seguir apenas tendências rasas: polêmicas, fofocas, hipersexualização, ostentação ou exposição forçada de vulnerabilidades, pode até trazer crescimento rápido, mas cria um ciclo vicioso, e ferra sua saúde mental, além de influenciar quem assiste você. Um público acostumado a ser surpreendido pelo raso não se mantém por causa da autenticidade, mas pela expectativa do próximo choque.

E no fim, o que fica? Uma sensação de vazio, como se o criador estivesse sempre devendo algo ao algoritmo, e nunca a si mesmo.

Criar com orgulho

O conteúdo que realmente importa é aquele que gera orgulho. A viralização não deve ser o ponto de partida, mas sim a consequência natural de um trabalho que nasceu verdadeiro.

Criadores que só produzem para agradar dificilmente conhecerão a experiência de serem reconhecidos pelo que realmente são.

Por isso, meu conselho é simples: Crie menos coisas que viralizam.
E mais coisas que você realmente se orgulha.

 

Esse é o único tipo de conteúdo que nunca perde relevância.

 

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